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Produtos e Estoque

Formação de preço de venda: como parei de errar a margem

Passei anos multiplicando o custo por dois e achando que estava ganhando metade. Não estava. A conta que eu ignorava está toda aqui.

WAEquipe WebajatoPublicado em Atualizado em 12 minNível Intermediário
Ilustração do módulo Produtos e Estoque da plataforma Webajato

Durante anos eu fiz formação de preço de venda multiplicando o custo por dois. Comprei por dez, vendo por vinte, ganho dez. Era assim que eu explicava pra quem perguntava, com uma confiança que hoje me dá vergonha. O faturamento crescia, o estoque girava, e o dinheiro na conta não acompanhava. Levei tempo pra encarar que o problema não era volume.

O que faltava na minha conta era quase tudo. Imposto, comissão, taxa de cartão, frete que eu absorvia, perda, devolução e o custo de manter a porta aberta. Cada um parecia pequeno demais pra atrapalhar. Somados, eles comiam a margem inteira.

Vou te mostrar como eu monto o preço hoje, o que entra na conta e onde eu ainda erro de vez em quando.

O custo que você acha que conhece

A nota do fornecedor não é o custo do produto. É uma parte dele. Frete de entrada, seguro, tributo que não se recupera e perda no transporte entram no bolo. Já vi item com dez por cento de custo escondido em frete que ninguém somava.

E tem a variação entre compras. Se você comprou o mesmo item três vezes com preços diferentes, qual custo usa? Essa pergunta tem resposta específica e ela está em custo médio ponderado. Usar sempre a última nota é o atalho que distorce a margem toda vez que o fornecedor muda o preço.

Markup e margem não são a mesma coisa

Essa confusão me custou dinheiro real. Markup é quanto você multiplica o custo. Margem é quanto sobra do preço de venda. Multiplicar o custo por dois não dá cinquenta por cento de margem depois que os descontos sobre a venda entram na conta.

ConceitoSobre o que é calculadoCuidado
MarkupSobre o custoMultiplicador simples, ignora tudo que incide sobre a venda
Margem brutaSobre o preço de vendaNão desconta despesa variável nem custo fixo
Margem de contribuiçãoSobre o preço, já sem despesas variáveisÉ a que sustenta a estrutura e o lucro
Margem líquidaDepois de todo o rateioSó faz sentido no fechamento, não no cadastro do item

O número que eu olho pra decidir preço é a margem de contribuição. Ela responde a pergunta que interessa: quanto essa venda deixa pra pagar o aluguel, a folha e ainda sobrar alguma coisa no fim do mês.

Tudo o que come o preço antes de virar lucro

  • Tributos que incidem sobre a venda, que variam por item e por classificação
  • Comissão de vendedor e comissão de canal externo
  • Taxa de cartão, que muda conforme a bandeira e o parcelamento
  • Frete que você absorve pra fechar o pedido
  • Perda, quebra, devolução e produto que vence na prateleira
  • Embalagem, quando ela existe de verdade e não é lembrada

Nenhum desses itens sozinho muda uma decisão. Todos juntos mudam o negócio inteiro. Quando finalmente montei essa lista e apliquei sobre os cinquenta itens mais vendidos, descobri que sete deles davam prejuízo em toda venda parcelada.

Preço não sai só da conta

A conta te dá o piso, o número abaixo do qual você está pagando pra trabalhar. O teto vem do mercado, do que o cliente aceita pagar e do que o concorrente cobra na esquina. O preço vive entre esses dois pontos.

Quando o piso passa do teto, o problema não é de preço. É de custo, de mix ou de posicionamento. Aumentar o preço de um item que o mercado já rejeitou só antecipa o encalhe, e aí você troca margem por capital parado na prateleira.

Preço diferente por canal

Vender na loja, no balcão e num canal externo custa coisas diferentes. Comissão de marketplace pode passar de dez por cento e simplesmente não existe na venda presencial. Praticar o mesmo preço nos dois lugares significa perder no canal caro ou cobrar caro demais no barato.

Trabalhe com tabelas por canal, com o mesmo custo de base e margem calculada em cima da estrutura de cada um. Quem integra canais externos precisa disso desde o primeiro dia, como discuto em integração com marketplaces.

Formação de preço de venda de um item novo

  1. Feche o custo de entradaNota, frete, seguro e tributo não recuperável. Sem esse número, todo o resto é chute com aparência de cálculo.
  2. Some as despesas variáveis do canalComissão, taxa de pagamento e frete absorvido. Faça isso por canal, porque a diferença entre eles é grande.
  3. Defina a margem de contribuição alvoPor família de produto, não por item. Item a item vira uma discussão infinita que ninguém termina.
  4. Calcule o preço mínimoÉ o piso. Abaixo dele a venda destrói valor mesmo parecendo boa no relatório de faturamento.
  5. Compare com o mercadoSe o piso ficou acima do que o mercado paga, revise custo ou reveja se esse item deve mesmo estar no mix.
  6. Registre no cadastroPreço, custo e margem gravados no item. Desconto concedido na boca do caixa sem controle apaga tudo que você calculou.

O desconto que ninguém controla

Você calcula com carinho e o vendedor dá cinco por cento pra fechar. Parece pouco. Num item com quinze por cento de margem de contribuição, cinco por cento de desconto tira um terço do que sobrava. Um terço.

Limite de desconto por perfil de usuário e acompanhamento da margem realizada resolvem boa parte disso. O impacto no fechamento aparece no módulo financeiro, mas a causa está sempre no balcão, e é lá que precisa ser tratada.

Por onde seguir

Com o preço montado sobre custo real, o próximo passo é entender como esse custo se comporta ao longo das compras. Vá pra custo médio ponderado e depois cruze com curva ABC de produtos pra saber onde a margem realmente pesa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre markup e margem?
Markup é o multiplicador aplicado sobre o custo. Margem é o percentual que sobra sobre o preço de venda. Multiplicar o custo por dois não gera cinquenta por cento de margem depois que imposto, comissão e taxa entram. Confundir os dois foi meu erro mais caro.
Devo usar a última compra ou o custo médio?
O custo médio ponderado reflete melhor o que você tem na prateleira. A última nota serve pra sinalizar tendência de alta e antecipar reajuste, mas usar só ela faz sua margem oscilar sem motivo real.
Preciso de preço diferente por canal?
Se os custos de vender em cada canal são diferentes, sim. Comissão de marketplace pode passar de dez por cento e não existe no balcão. Preço único nesse cenário significa perder dinheiro num lado ou espantar cliente do outro.
Como controlo desconto sem travar a venda?
Defina limite por perfil de usuário e acompanhe a margem realizada, não a margem cadastrada. O vendedor precisa de espaço pra negociar, mas dentro de um teto que preserve a margem de contribuição do item.
Vale vender abaixo do custo pra girar estoque?
Em situação específica, como item encalhado ou perto de vencer, pode fazer sentido pra recuperar capital. O que não pode é isso virar rotina disfarçada de estratégia. Já vi empresa vender muito e quebrar exatamente assim.
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