Loja virtual integrada ao ERP: o que eu aprendi montando
A diferença entre publicar um site de vendas e operar uma loja que divide cadastro, saldo e pedido com quem trabalha na retaguarda.

Sexta-feira, seis da tarde. O telefone tocou porque um cliente tinha comprado no site uma peça que já não existia no depósito havia duas semanas. Ele pagou. A gente cancelou. Passei o fim de semana remoendo como um pedido conseguiu nascer errado daquele jeito, e foi ali que entendi o que significa uma loja virtual integrada ao ERP: é a loja que lê o mesmo catálogo, o mesmo saldo e a mesma tabela de preço que o pessoal de dentro usa todo dia.
No começo a gente tratava isso como assunto de TI. Não é. É a diferença entre o pedido nascer pronto e o pedido nascer como tarefa para alguém digitar de novo, às pressas, no meio do expediente.
Vou te contar como as peças se encaixam e em que ordem eu mexeria nelas hoje. Se você já sabe o que quer vender e quer só a sequência, pule direto para o passo a passo de configuração.
As duas metades de uma loja virtual integrada ao ERP
Uma metade mora dentro do ERP, na administração da loja. É lá que você mexe em configuração, aparência, banners, seções, informações institucionais, formas de pagamento, formas de envio, categorias, produtos da loja, SEO, depoimentos e marcas parceiras. A outra metade é a aplicação pública, publicada em pasta própria, que entrega o que o cliente enxerga.
- Vitrine com busca, categorias, página de detalhe e variações.
- Carrinho, checkout, cálculo de frete e formas de pagamento.
- Cadastro, login, recuperação de senha, endereços, conta e histórico de pedidos.
- Pedidos da loja e clientes da loja visíveis na retaguarda.
- Modo Delivery, para quem entrega com equipe própria.
- Área administrativa mínima da loja, com controles de autenticação e status.
O domínio é quem diz de quem é a loja
A aplicação pública identifica o tenant pelo host acessado. Traduzindo: o endereço que a pessoa digitou já informa qual empresa está sendo atendida. O cliente não escolhe nada. Não vê seletor de empresa, não precisa saber que existe outra loja rodando no mesmo lugar. E é justamente por isso que resolver o domínio é a primeira tarefa, nunca a última.
Aprendi do jeito difícil: catálogo em dois lugares não sobrevive
Antes de integrar, a gente mantinha uma planilha para o site e o cadastro do ERP. Durou três meses. Depois disso o preço da vitrine já não era o preço do balcão, e o cliente percebeu antes de nós. Confesso que demorei para entender que o problema não era falta de cuidado da equipe. Era existir dois lugares onde a mesma informação podia ser alterada.
Com base compartilhada, o preço que o cliente vê é o preço registrado, e a disponibilidade exibida sai do mesmo saldo que a equipe usa para separar. Como isso se sustenta no dia a dia está em estoque e preço sincronizados com o ERP.
| Peça | Onde você configura | O que o cliente vê |
|---|---|---|
| Catálogo | Produtos da loja e categorias, no ERP | Vitrine, busca e página de produto |
| Frete | Formas de envio | Valor e opção de entrega no checkout |
| Pagamento | Formas de pagamento e Hub de Pagamentos | Meios disponíveis na finalização |
| Conteúdo | Aparência, banners, seções, institucional | Home, páginas fixas e prova social |
| Pedido | Pedidos da loja | Confirmação e acompanhamento |
Pagamento online passa pelo Hub
O pagamento e a consulta de status da loja passam pelo Hub de Pagamentos. Ele é uma fachada única: a loja pede uma cobrança, o Hub decide qual driver usar conforme a configuração da empresa e devolve o estado. Os webhooks são idempotentes, e os estados críticos, pago e estornado, são reconfirmados server-to-server com o provedor.
Frete e delivery são duas conversas diferentes
Para envio, você cadastra formas de envio na retaguarda. Para entrega própria, existe o Modo Delivery, com taxa por bairro e fallback, valor fixo ou cotação SuperFrete, mais pedido mínimo, finalização e rastreamento. Já vi gente misturar as duas coisas e depois não entender por que o checkout travava em metade dos bairros.
Escolher entre cotar e cobrar fixo é conversa de dinheiro antes de ser configuração. O comparativo está em SuperFrete ou taxa fixa.
O script que eu esqueci de rodar
O Modo Delivery e os tokens de cliente exigem dois scripts manuais de banco, `database/loja_modo_delivery.sql` e `database/loja_cliente_tokens.sql`, além das configurações reais de host, frete e pagamento. Eles não rodam sozinhos. Descobri isso do pior jeito possível: divulguei o endereço, o cliente se cadastrou, o cliente esqueceu a senha, e a recuperação simplesmente não respondeu.
- Scripts manuais aplicados no ambiente certo, antes de habilitar o recurso.
- Host configurado e respondendo pela loja.
- Formas de envio definidas antes do primeiro pedido real.
- Credenciais de pagamento cadastradas no Hub, no ambiente correto.
Como isso conversa com o resto do ERP
A vitrine bebe do cadastro de produtos, com imagens, variações, atributos e combinações mantidos no módulo de produtos e estoque. Os pedidos ficam consultáveis na retaguarda e o dinheiro entra pelo mesmo caminho de baixa que outras origens de cobrança já usam.
Loja integrada é aquela que não pede para ninguém digitar de novo o que o cliente já digitou.
Equipe Webajato
Por onde eu começaria hoje
Decida o que você vende e como entrega. Depois disso, e só depois, pense em cor, banner e texto bonito. Siga a sequência de configuração e feche com o checklist de lançamento antes de contar para alguém que a loja existe.