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Fiscal

Reforma tributária IBS e CBS: o que muda no seu ERP

Tem coisa implementada e tem coisa que depende de carga fiscal real e homologação. Saber a diferença evita promessa que ninguém consegue cumprir.

WAEquipe WebajatoPublicado em Atualizado em 10 minNível Avançado
Ilustração do módulo Fiscal da plataforma Webajato

A pergunta chegou numa reunião de diretoria e eu não soube responder direito: o sistema já está preparado? Sobre a reforma tributária IBS e CBS eu tinha lido bastante e entendido pouco, e a mistura de notícia com opinião não ajudava. Levei uma semana para separar o que já existe implementado do que ainda depende de decisão de terceiros.

Essa separação é a coisa mais útil que eu tenho para te oferecer aqui. Porque a pergunta certa não é se o sistema está pronto. É o que já está de pé, o que depende de carga fiscal real e o que só se resolve com o contador.

Vou contar o que a plataforma já traz, o que a gente já começou a preparar e o que eu deixo bem claro para a diretoria quando o assunto volta.

O que a reforma tributária IBS e CBS já tem no sistema

A biblioteca fiscal e os schemas foram atualizados para os grupos da reforma. O cálculo é centralizado em um componente próprio, o que evita a bagunça de ter lógica tributária espalhada em vários lugares. E os grupos de IBS e CBS são gerados e persistidos em NF-e modelo 55 e NFCom modelo 62.

  • Biblioteca fiscal e schemas atualizados para os grupos da reforma.
  • Cálculo centralizado em um único componente.
  • Geração e persistência dos grupos em NF-e modelo 55 e NFCom modelo 62.
  • Configuração tributária por empresa e por produto.
  • Persistência analítica para acompanhar os valores calculados.

A configuração por empresa e por produto é o detalhe que mais me interessou. Significa que a preparação do cadastro que você faz hoje é a mesma que sustenta esse cenário, e isso conversa direto com o módulo de produtos e estoque.

A tela de apuração

Existe uma tela dedicada à apuração de IBS e CBS, com indicadores, filtros, grade, gráfico, filtros salvos e exportação. Junto com a persistência analítica, ela permite acompanhar o que está sendo calculado em vez de descobrir isso no fechamento.

Recurso da telaPara que serve no dia a dia
IndicadoresVer o panorama sem montar planilha
Filtros e filtros salvosRepetir a mesma análise sem refazer
GradeDescer ao detalhe quando algo chama atenção
GráficoPerceber variação fora do padrão
ExportaçãoLevar a base para a conversa com a contabilidade

A exportação é a que eu mais uso, justamente pelo motivo descrito em SPED e obrigações acessórias: chegar na conversa com o contador com dado concreto muda completamente a qualidade da reunião.

O que a gente começou a preparar desde já

  1. Arrumar o cadastro de produtoA configuração tributária por produto vai ser tão boa quanto o cadastro que existir. Item cadastrado na correria vai doer aqui também.
  2. Revisar a matriz de vendaAs situações reais que a empresa vive precisam estar escritas. A base está em natureza e CFOP.
  3. Confirmar o enquadramento atualAntes de olhar para frente, o presente precisa estar coerente. O roteiro está em regimes tributários.
  4. Marcar a conversa com o contadorVigência, alíquota, classificação e transição são assunto dele. Eu levo perguntas, não conclusões.
  5. Planejar a homologaçãoTestar antes com schemas e ambientes autorizadores é o que separa transição tranquila de susto no primeiro dia.

O que eu não digo, e por quê

Já vi gente afirmar com muita segurança percentuais, datas e regras de transição em conversa de corredor. Eu não faço isso, e recomendo que você também não faça. O que estiver valendo na data em que você lê isto precisa ser confirmado na fonte oficial vigente e com o contador da sua empresa.

Confesso que no começo eu tentava responder tudo para parecer preparado. Foi pior. Uma resposta errada dada com convicção circula pela empresa e vira decisão de alguém. Hoje eu digo o que sei, digo o que não sei e digo quem responde.

  • Separar o que é recurso do sistema do que é regra legal.
  • Levar dúvida de vigência e alíquota direto ao contador.
  • Registrar o que foi confirmado, com data e fonte.
  • Revisar esse registro quando algo mudar.

O que muda na rotina de quem emite

A rotina de emissão em si segue reconhecível: documento montado, assinado, transmitido, protocolado. O que muda é o conteúdo tributário e o que a empresa precisa ter configurado antes. Quem já mantém cadastro e matriz em ordem vai sentir menos.

Quem opera balcão merece atenção especial, porque a transição vai encontrar o caixa no ritmo dele. Vale rever NFC-e no PDV e o plano descrito em contingência fiscal antes de qualquer virada relevante.

Próximo passo

Comece pelo que já é seu: cadastro de produto, matriz de venda e enquadramento atual. Isso vale independentemente do calendário e você não perde nada fazendo agora. Depois marque a conversa com o contador com perguntas escritas. Vigência, alíquota, classificação e transição quem responde é ele, com base na norma vigente.

Perguntas frequentes

O sistema já está pronto para a reforma?
Existe estrutura implementada: schemas atualizados, cálculo centralizado, geração dos grupos em NF-e modelo 55 e NFCom modelo 62 e tela de apuração. Mas isso depende de script aplicado, carga fiscal real e homologação, e não deve ser lido como certificação completa para todos os cenários.
Quais alíquotas devo configurar?
Não arrisco número aqui, e desconfie de quem arriscar sem olhar a sua empresa. Alíquota, classificação e vigência vêm da legislação e da sua contabilidade. Leve a pergunta ao contador com os seus casos reais na mão.
O que posso fazer agora sem depender de nada?
Arrumar o cadastro de produto, escrever a matriz das suas vendas reais e confirmar o enquadramento atual. Esse trabalho vale hoje e vale depois, independentemente de qualquer calendário.
A tela de apuração serve para quê?
Para acompanhar os valores calculados com indicadores, filtros, grade, gráfico e exportação, em vez de descobrir tudo no fechamento. A exportação é o que eu levo para a conversa com o contador.
Como falo disso com a diretoria?
Separando o que é recurso do sistema do que é regra legal, e dizendo com clareza o que ainda depende de homologação. Eu tentei parecer mais preparado do que estava uma vez e a resposta errada virou decisão de outra pessoa.
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