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Dados e Relatórios

Governança de dados: quando dois relatórios discordam na reunião

Vinte minutos de reunião para descobrir que os dois números estavam certos. Cada um respondia uma pergunta diferente.

WAEquipe WebajatoPublicado em Atualizado em 10 minNível Intermediário
Ilustração do módulo Dados e Relatórios da plataforma Webajato

A reunião parou porque o financeiro e o comercial apresentaram faturamentos diferentes para o mesmo mês. Discutimos vinte minutos. Os dois estavam certos: um contava pedido emitido, o outro contava nota faturada. Ninguém tinha escrito em lugar nenhum qual dos dois era o número da empresa. Governança de dados começa exatamente aí, nessa frase que ninguém escreveu.

Confesso que eu achava isso papo de consultoria. Palavra grande para algo que resolveria com bom senso. Mudei de ideia quando percebi que a mesma discussão voltava a cada trimestre, com gente diferente, consumindo o mesmo tempo da diretoria.

O que eu vou descrever aqui não tem comitê, política de trinta páginas nem projeto de seis meses. São quatro coisas escritas e revisadas de tempos em tempos. Se o seu problema ainda é o dado sujo na origem, comece por qualidade de dados.

Os quatro pilares da governança de dados que funcionam

PilarPergunta que ele respondeOnde mora
DefiniçãoO que exatamente esse número conta?Escrito dentro do relatório publicado
DonoQuem responde por ele quando estranha?Nome de pessoa, ao lado do indicador
AcessoQuem pode ver e quem pode criar recorte novo?Perfis de acesso do sistema
Ciclo de vidaIsso ainda serve para alguma decisão?Revisão trimestral com data marcada

Definição escrita, ou a briga volta

A definição precisa dizer o que entra, o que fica de fora e qual data manda. Faturamento considera devolução? Considera frete? A data que vale é a de emissão ou a de saída? Cada uma dessas escolhas muda o número, e todas são defensáveis. O que não é defensável é deixar cada área escolher a sua em silêncio.

A gente escreve a definição dentro do próprio relatório, num bloco de texto, e não num documento separado que ninguém abre. Documento à parte envelhece sozinho. Definição colada no número envelhece junto com ele, e alguém percebe.

Dono é pessoa, não departamento

Já testei atribuir indicador para "o financeiro" e o resultado foi previsível: três pessoas viram o desvio, cada uma assumiu que outra ia tratar, e ninguém tratou. Nome próprio muda o comportamento. A pessoa sabe que se aquele número sair da faixa, alguém vai perguntar para ela. O critério de escolha do que merece dono está em como escolher o indicador certo.

Quem cria recorte e quem só consome

Nem todo mundo precisa montar análise. A separação que funcionou aqui tem três níveis: quem consome relatório publicado, quem explora dados fazendo pergunta nova e quem publica recorte para os outros lerem. Confundir os três produz aquele cenário em que existem seis versões do mesmo número circulando, todas montadas por gente bem-intencionada.

  • Consumidor lê o que está publicado e não monta filtro próprio para reportar.
  • Explorador pergunta livremente, mas o resultado dele é rascunho até homologar.
  • Publicador transforma rascunho homologado em relatório oficial, com definição escrita.
  • Toda publicação tem data e responsável visíveis para quem lê.
  • Recorte que virou oficial sem passar por essa porta é retirado, sem drama.

O isolamento que a governança pressupõe

Toda essa organização assume que o dado que aparece é o da empresa certa. No ERP, o escopo por empresa é obrigatório na execução das consultas e as fontes do editor de relatórios ficam limitadas à empresa da sessão. Em ambiente com várias empresas, isso precisa ser testado na implantação e não presumido, do jeito descrito em isolamento multiempresa em relatórios.

Aposentar relatório é parte do trabalho

Ninguém gosta dessa parte. Relatório abandonado é pior que relatório inexistente, porque alguém vai abrir achando que está atualizado e vai decidir com base nele. A gente marca revisão trimestral e faz três perguntas por relatório: alguém abriu, alguém decidiu algo, alguém sente falta se sumir. Duas respostas negativas e ele sai.

  • Cada indicador publicado tem definição escrita acessível ao leitor.
  • Cada indicador tem uma pessoa nomeada como responsável.
  • Os níveis de consumo, exploração e publicação estão separados por perfil.
  • O isolamento por empresa foi testado, e não apenas presumido.
  • Existe data marcada para a próxima revisão de aposentadoria.

Governança boa não é a que impede erro. É a que faz o erro aparecer rápido.

Equipe Webajato

Dado pessoal entra nessa conta

Decidir quem vê o quê inclui decidir quais colunas aparecem. Um relatório com telefone e documento de cliente circula de forma diferente de um relatório com totais agregados, mesmo que os dois estejam corretos. Os critérios de minimização e retenção estão em LGPD aplicada a relatórios, e a base de organização geral aparece em ERP e gestão.

Por onde eu começaria

Escolha o número que mais gera discussão na sua empresa. Um só. Sente com as duas áreas que discordam, escreva a definição em três linhas e publique dentro do relatório. Na próxima reunião, quando alguém questionar, aponte para a linha escrita. A discussão acaba em trinta segundos, e você vai querer fazer isso com o segundo número na mesma semana.

Perguntas frequentes

Por onde começa a governança de dados?
Pela definição escrita da métrica que mais gera discussão. Sem isso, cada área monta o próprio filtro de boa-fé e os números divergem sem que ninguém esteja errado.
Precisa de comitê e política formal?
Não para começar. Definição escrita, dono nomeado, separação de perfis e revisão trimestral resolvem a maior parte do problema em empresas de porte médio.
Onde a definição da métrica deve ficar?
Dentro do próprio relatório publicado, num bloco de texto. Documento separado envelhece sozinho e ninguém abre na hora em que a dúvida aparece.
Todo mundo pode criar relatório?
Pode explorar, mas publicar é outra coisa. Separe consumo, exploração e publicação por perfil, ou você acaba com várias versões oficiais do mesmo número.
O que fazer com relatório que ninguém usa?
Aposentar. Relatório abandonado continua sendo aberto por alguém que assume que está atualizado, e essa é uma das formas mais silenciosas de decisão errada.
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