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Produtos e Estoque

Entrada de nota por XML: o que ela não resolve sozinha

Dei entrada em tudo pelo arquivo e mandei guardar sem conferir. Faltavam quatro caixas. Descobri três meses depois, sem provas.

WAEquipe WebajatoPublicado em Atualizado em 10 minNível Intermediário
Ilustração do módulo Produtos e Estoque da plataforma Webajato

Chegou carga grande num dia corrido. Importei o arquivo, dei entrada em tudo, mandei guardar. Levou cinco minutos e eu me achei o máximo. Três meses depois, no inventário, faltavam quatro caixas de um item caro. O fornecedor disse que tinha enviado, o documento dizia que tinha enviado, e eu não tinha nada pra contestar. Foi ali que entendi que entrada de nota por XML resolve a digitação e não resolve o recebimento.

O arquivo traz o que o fornecedor declara ter mandado. Só isso. A conferência física continua sendo a única forma de saber o que realmente desceu do caminhão.

O ganho de verdade vem de outro lugar, e demorei pra perceber: do vínculo estável entre o item do fornecedor e o item do seu catálogo. Sem ele, alguém compara descrições na tela toda semana.

O que a entrada de nota por XML resolve e o que não resolve

Etapa do recebimentoResolvido pelo arquivoAinda exige processo
Digitação de itens e quantidadesSimNão
Identificação do produto no seu catálogoParcialmenteVínculo por código ou identificador global
Conferência física do recebidoNãoContagem contra o documento
Rateio de frete no custoNãoDefinir o critério de rateio
Etiquetagem e precificaçãoNãoImpressão e conferência de preço

Ler essa tabela evita a frustração que eu tive. O arquivo substitui uma etapa, a mais chata, e deixa as outras exatamente onde estavam.

O vínculo que faz a diferença

O item do arquivo traz o código do fornecedor, a descrição dele e, com sorte, o identificador global. Seu catálogo tem código interno, descrição própria e o mesmo identificador. O vínculo liga os dois mundos.

Feito uma vez, ele vale pra todas as entradas seguintes daquele fornecedor. É por isso que preencher código de barras e código do fornecedor no cadastro tem retorno tão alto, como detalhei em código de barras e GTIN.

Cadastro provisório sem virar bagunça

Quando o item recebido não existe no catálogo, travar o recebimento não é opção e cadastrar às pressas também não deveria ser. O caminho é criar um registro provisório com os dados do documento e completar depois com os campos comerciais e fiscais validados.

O risco é o provisório que nunca deixa de ser provisório. Aqui eu já tive dezenas deles, com descrição do fornecedor, classificação copiada e nenhuma foto, contaminando o cadastro de produtos por meses. Hoje existe uma revisão semanal desses registros.

O fluxo completo de recebimento

  1. Importe o documento antesQuando der, carregue o arquivo antes da mercadoria chegar. Isso adianta o trabalho de vínculo e diminui o tempo do caminhão parado.
  2. Resolva os vínculos pendentesTrate os itens não reconhecidos, criando registro provisório quando for necessário. Nunca cadastre nada às pressas com o entregador esperando.
  3. Confira fisicamenteConte o recebido contra o documento, item a item, e registre qualquer diferença antes de aceitar a carga.
  4. Trate as divergências na horaFalta, sobra e avaria precisam de tratativa formal com o fornecedor, não de ajuste silencioso no saldo.
  5. Rateie o freteDistribua frete e despesas acessórias pelos itens da carga, pra que o custo reflita o que a mercadoria custou de verdade.
  6. Efetive a entradaSó depois da conferência. Assim o saldo nasce correspondendo ao que está no depósito.
  7. Imprima as etiquetasCom o preço já revisado, pra que gôndola e caixa mostrem o mesmo valor no dia seguinte.

Etiqueta: o último lugar onde tudo desanda

A etiqueta é onde o cliente lê o preço, e a diferença entre ela e o valor cobrado no caixa é uma das reclamações mais chatas do varejo. Já imprimi lote inteiro antes de revisar preço e passei o dia trocando etiqueta com a loja cheia.

  • Imprima só os itens cuja entrada foi efetivamente confirmada
  • Inclua o código que será lido no caixa, e não só o texto do preço
  • Regenere as etiquetas quando o preço mudar, e retire as antigas como parte do processo
  • Passe uma amostra no leitor antes de aplicar o lote inteiro
  • Em item com grade, garanta que a etiqueta identifique a combinação exata

O último ponto pega muita gente. Etiqueta genérica no produto pai devolve à prateleira toda a ambiguidade que a estrutura de variações e grade tinha resolvido no sistema.

Toda entrada mexe no seu preço

Cada recebimento altera a base de custo e, com ela, a margem que você pratica. Receber sem revisar preço é aceitar que o fornecedor defina seu resultado. Parece exagero até você comparar dois meses seguidos.

A rotina saudável inclui uma verificação dos itens cujo custo variou acima de um limite, pra revisão de preço antes da mercadoria ir pra gôndola. O cálculo está em custo médio ponderado e os desdobramentos no módulo fiscal.

Divergência de recebimento tem hora certa

Falta, sobra, avaria e item trocado acontecem em qualquer cadeia de fornecimento. O que separa quem se organiza de quem sofre não é a ausência disso, é o momento do tratamento: com a carga aberta e o transportador presente, ou meses depois, sem prova nenhuma.

  • Falta: registre no ato e acione o fornecedor antes de aceitar a entrada integral
  • Sobra: não incorpore ao saldo sem tratativa, porque aquilo pertence a outra pessoa
  • Avaria: fotografe e segregue, evitando que a mercadoria componha o saldo vendável
  • Item trocado: confie no identificador lido, não na descrição do documento
  • Diferença de valor: trate antes de efetivar, porque ela contamina o custo do item

Cada ocorrência dessas precisa de registro próprio. Quando tudo vira um ajuste genérico, você perde o direito de reclamar e perde também a informação sobre quais fornecedores concentram problema de entrega.

Por onde seguir

Para carga grande de itens novos, a entrada individual pode não ser o caminho mais rápido. Avance para importação de produtos em Excel.

Perguntas frequentes

A entrada por arquivo dispensa a conferência física?
Não dispensa. O documento traz o que o fornecedor declara ter enviado, e não o que chegou. Conferir contra o documento é a única forma de o saldo nascer correspondendo ao físico. Aprendi isso perdendo quatro caixas.
O que faço quando o item não existe no catálogo?
Crie um cadastro provisório com os dados do documento pra não travar o recebimento e complete os campos depois. O que não pode faltar é uma rotina que revise esses provisórios, senão eles ficam para sempre.
Como faço o vínculo entre item do fornecedor e o meu?
Pelo identificador global quando ele existe e pelo código do fornecedor como alternativa. Feito uma vez, o vínculo se aplica sozinho nas entradas seguintes daquele parceiro.
O frete precisa ser rateado na entrada?
Precisa, distribuído entre os itens da carga por um critério consistente. Sem rateio o custo fica subestimado e a margem que você calcula não existe. Já vi item com dez por cento de custo escondido em frete.
Quando imprimir as etiquetas?
Depois da entrada efetivada e do preço revisado, nunca antes. Etiquetar pelo documento e ajustar o preço depois é a causa direta da divergência entre gôndola e caixa, e o cliente sempre percebe.
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